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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Sob o Sol da Toscana (Cortona)

Pequena muralha em Castiglion Fiorentino (ponto de ônibus)

Ponto de ônibus 


 Vista pela janelinha do ônibus (Cortona)


Muralha (Castiglion Fiorentino)


A manhã daquele dia de setembro parecia propícia para sairmos em busca de um novo lugar, de uma nova cidade. Nosso trem para Arezzo partiu pontualmente da estação de Santa Maria Novella, em Firenze.
Já fazia tempo que eu tinha essa vontade de conhecer Cortona, pois havia visto num livro, textos maravilhosos a seu respeito, onde a autora descrevia uma linda "piazza" onde os habitantes tinham ali uma vida de convivência e cotidiano.
Como todas as viagens se tornam aventuras quando não estamos em nosso país, é claro que não foi tão simples chegar em Cortona... Na estação de Arezzo, a moça do balcão de informações nos disse para irmos até uma pequena praça, onde teríamos informações específica (aqueles postos, de ajuda aos turistas). Lá, fomos informadas que um ônibus sairia "direto" para Cortona, mas que teríamos que andar bem rápido por conta do horário.
Chegamos ao pequeno terminal, mas a placa de informações não nos contava absolutamente nada sobre o ônibus que esperávamos... O sol estava quente, os alunos de uma escola próxima estavam se aglomerando no ponto por conta do horário de saída. Todos entravam em seus ônibus e partiam felizes para suas casas. Nós não...
Finalmente um garoto brasileiro (estudante e morador de Arezzo), nos informou que não havia um ônibus que fosse direto para nosso desejado destino. Descobrimos que teríamos que ir até um lugar chamado Castiglion Fiorentino, onde trocaríamos de ônibus para chegarmos em Cortona.
Entramos e o motorista nos disse que teríamos que comprar os bilhetes na rua (lá eles são vendidos em tabacarias, bancas de jornal...), mas que nos levaria sem cobrar e que na volta poderíamos entregar o bilhete a ele. Achamos engraçado, mas seguimos viagem mesmo assim.
Em Castiglion Fiorentino, tivemos que esperar por muito tempo pelo nosso ônibus. A espera foi compensada pela paisagem, pois os pontos eram distribuídos na extensão de uma pequena muralha, onde estudantes e alguns turistas aguardavam seus horários de partida.
Finalmente entramos no nosso ônibus! Curtimos cada visão da paisagem da estradinha sinuosa, ladeada pelos típicos pinheiros verde escuro da Toscana.
O encantamento foi aumentando conforme subimos pela estrada. Castelos, vilarejos, céu azul... e ao lado direito da estrada, podíamos ver a linda Cortona, encravada na montanha, subindo até o topo!
Chegamos e nos encantamos com a grande muralha etrusca!!!! Maravilhosa, cheia de respeito e história. Nos dirigimos até o portão principal da muralha e, surpresas, olhamos assustadas para o tamanho da ladeira que teríamos que subir para chegarmos ao núcleo principal da cidade!
Na ocasião, eu e Susi estávamos, coincidentemente, passando por um momento difícil, onde dores pelo corpo nos deixavam desanimadas, mesmo estando num dos mais lindos lugares do mundo... Minha amiga estava parada, olhando a rua reta que subia... ("e agora"?)...







Susi, encantada com a loja de materiais para caligrafia e encadernação!

Enfim, depois de muitas paradinhas para descanso, vontade de voltar e até mesmo algumas lágrimas de dor, subimos e chegamos ao alto da ladeira, de onde olhamos para baixo e, além, de vermos tudo o que havíamos subido, fomos presenteadas por uma paisagem perfeita!
A rua "reta" e principal partia de uma piazza larga (Piazza Signorelli), movimentada e ladeada de lojinhas, floricultura, mercadinho e ruas que nasciam ali. Ficamos paradas por um tempo, olhando, retomando o fôlego e admirando.
Andamos lentamente, olhando tudo com carinho, fotografando os cantinhos, as escadarias, os noivos que caminhavam sossegadamente para o fotógrafo registrar o momento mágico deles. Fomos até o fim da rua reta e paramos para um gelato, para um brinde à nossa subida, à nossa cidadezinha valiosa, etrusca e linda.
Voltamos ao início da rua e almoçamos um delicioso macarrão com trufas valiosas. Trufas douradas e negras. Trufas iguaizinhas às do livro que li e que descrevia tão fielmente aqueles sabores que estávamos experimentando.








As dores no meu quadril pareciam esquentar cada vez mais... doía até chegar na alma, mas naquele momento eu só conseguia agradecer a Deus por me permitir contemplar tanta beleza! As dores ficaram guardadas no fundo da bolsa. Cortona estava alí e eu não podia nem pensar em sentir dores!


Partimos mais uma vez por nossa ruazinha movimentada. Fomos até um mirante, onde o grande vale se estendia até o infinito.Céu azul. Sol quente e toscano.
Susi estava encantada pelos telhados antigos, pela vista que parecia um mar de telhados que contavam a história do tempo. Fotografamos tudo o que encontramos e que nos encantou. Nosso ânimo foi renovado e passeamos pelo resto da tarde.










Tentamos adiar a volta, mas o ônibus tinha horário fixo e, portanto, tivemos que deixar a cidadezinha etrusca para trás... Compramos os bilhetes para o ônibus (sem esquecermos daqueles que ficamos devendo, é claro) e descemos nossa ladeira, quase que sem palavras na boca... descemos prometendo voltar...















Entramos no ônibus que nos levaria até Castiglion Fiorentino, mas descobrimos que ele iria direto para Arezzo. A viagem de volta foi confortante e cheia de novas fotos. A estradinha foi se tornando escura e linda com as silhuetas dos pinheiros. Os grandes abismos pareciam sonhos. A estrada nos convidou a voltarmos numa próxima vez. Aceitamos.
Chegamos em Firenze à noite. Seguimos caladas até nosso pequeno hotel. Dia perfeito. Dia em Cortona. Sob o sol da Toscana.
Saudades desse dia. Saudades dessa alegria.


domingo, 2 de maio de 2010

Sobre as ruas de Firenze...


Eu estava olhando, mais uma vez (incansavelmente), minhas fotos de viagem e parei para pensar quando vi essa rua, em Firenze. É impressionante como as ruas de lá são singelas, pequenas, estreitas e belas! Anda-se muito por elas. E, nesse ir e vir com cheiro de Arte, pomodoro e Rio Arno, quando menos se espera a gente se depara com o Duomo, ou com uma parte de sua torre, sua cúpula maravilhosa! A grandeza das coisas, no final dessas ruas, sempre me deixava de boca aberta! E, assim, entre uma ruazinha e outra, lá estava eu, com o coração disparado diante de alguma maravilha (geralmente coisas que eu só havia visto num livro ou mesmo num filme...). As ruas de Firenze, assim como as paredes dos pequenos prédios medievais, ficaram bem guardadinhas na minha saudade. A cor das paredes, entre o ocre e o laranja (ouro, no final da tarde), os arcos dos portais, sempre com uma piccola fontana ao fundo, tudo isso ficou desenhado na minha alma. Foram muitas ruas, foram muitas surpresas ao final de cada uma delas! Aquele verão na Toscana sempre vai ter um cheiro de saudade e um gosto de gelato.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Campos dourados de feno


Quando se viaja de ônibus pelas estradas na Toscana, tudo o que se consegue pensar é isso: Nossa!!! Que linda essa paisagem!!!! Eu, enquanto migrava de uma cidade para outra, sempre tentava me concentar nos meus pensamentos, refletir sobre coisas que ficaram no Brasil e, quem sabe, na tranquilidade da viagem, resolver algumas pendências através dos pensamentos. Mas, olhando pela janelinha do ônibus, senti a impossibilidade de raciocinar diante de tanta beleza! A cada novo vale surgiam cenas divinas, pinturas mágicas que Deus me mostrava através de sua criação. Os campos de feno, dourados e pacíficos, me faziam pensar somente no ouro daqueles rolos gigantes, redondos... às vezes, em conjunto com plantações infinitas de girassóis, minha mente passeava pela magia daquela terra preciosa, italiana, abençoada. Os campos de feno que passaram pela minha janelinha, marcaram minha viagem e nunca me esqueço deles... Pois, essa imagem foi uma das novidades que se apresentaram no meu caminho, assim como as casas de pedras, casas de 300 anos... Quando me irrito no dia a dia, com problemas e mesquinharias, imagino a minha janelinha, recheada pelos campos dourados, de feno e girassóis da Toscana, deixando-me silenciosa, admirada e em paz. Buon giorno per tutti!

sábado, 10 de abril de 2010

Bramasole


"Brama", de Bramare (arcaico) significa "anseio", "desejo"... e "Sole" significa "sol"... "Anseio de sol"... "Desejo de sol".

No filme "Sob o sol da Toscana", essa definição me fez pensar o quanto eu realmente preciso de um pouco de luz. Após assistir por infinitas vezes, esse filme me trouxe cada vez mais reflexões a respeito de nossas necessidades e verdadeiros anseios. Eu, a cada dia, sinto que o "sol" precisa de meu mais profundo entusiasmo para brilhar... e aí, eu percebo que, como no filme, eu tenho uma Bramasole por dia para reformar, para organizar, limpar, arrumar. Venho lutando, desse jeito, no meio de reformas, já há alguns anos... seis anos, para ser mais precisa. Nesse tempo todo, eu enfrentei algumas pedras gigantes (como as que os Etruscos deixaram para Frances Mayes remover durante a reforma de sua casa na Toscana) e, sinceramente, acho que venho me saindo muito bem. Não havia ainda tocado nesse assunto tão íntimo aqui no meu blog, mas acho que vale expor certos transtornos (principalmente os resolvidos) para, quem sabe, ajudar nas reformas e restaurações onde meus amigos e amigas blogueiras possam estar precisando. É claro que a vida é doce, mas, às vezes, passamos por momentos difíceis, nebulosos... Para me curar de um câncer de mama, removi baldes e baldes de entulho, tentando fazer meu Bramasole ficar em pé, sem tremer nas estruturas, despencar morro abaixo... Depois, em seguida, vi meu amor sumir na poeira, abalado pelas instabilidades do tempo, da doença, da traição... Mas, Bramasole significa mesmo esse anseio de luz, e por isso, tratei de reconstruir cada parede, cada janela que havia sido travada e fechada, abrindo portas, cortinas e arando a terra. Hoje, após tanto barulho, sou uma pessoa melhor, curada (Graças a Deus!), mais forte, que sonha e realiza. Estive na Toscana em 2009, e vivi os dias mais lindos que eu podia esperar depois de tanta escuridão. Me apaixonei pelos girassóis e pelos campos dourados de feno. Reergui cada tijolo, cada cômodo abandonado. Portanto, Bramasole, para minha vida, significa recomeço. E por tantos anseios vividos, e por todo esse sonho significativo que vivi na Toscana, espero que meus amigos blogueiros nunca tenham medo do recomeço e da reforma interna. É isso. Baci per tutti!